Sou uma menina muito questionadora e minha mãe diz que tenho um microfone na barriga por falar muito alto. Um dia, meus coleguinhas da escola disseram que não sou negra, pois sou clara. Fiquei brava e comecei a fazer várias perguntas para minha família.
Traz um convite à reflexão sobre relacionamento, desenvolvimento emocional da criança e sobreidentidade étnica. A narradora é uma menina que discorre sobre as suas características, sua família e circunstâncias escolares. Afirmada com seu nome, sua raça e sua etnia, Bigu canta alto, mas também “fala alto” contra o preconceito em relação ao seu nome, à cor de sua pele. Esses elementos criam uma possibilidade de levar às crianças a identificação e a reflexão acerca da hierarquização e das estratificações das pessoas de acordo com a cor de sua pele. Quanto ao uso da linguagem, expressa afirmativas e exclamações, permitindo a imagem mental da personagem. Traz no decorrer de suas páginas cenas domésticas e escolares como o nascimento, a chegada de visitas, a escola. Possibilita acesso a palavra escrita, aos sinais de pontuação e efeitos na prosódia, além de imagens que despertam a curiosidade e o interesse da criança, pois são belas e coloridas, despertando a curiosidade e a capacidade leitora do público infantil, sobretudo, a compreensão de conceitos como semelhanças e diferenças físicas, igualdade e desigualdade.